| Edição: 1ª |
| Publicação: 30 de junho de 2017 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 912 |
| Peso: 0.792 kg |
| Dimensões: 22.8 x 16 x 4.6 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8573266678 |
| ISBN-13: 9788573266672 |
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Publius Ovidius Naso, em sua obra máxima, afasta-se da rigidez histórica da Eneida para abraçar a fluidez de um universo em constante mutação. Metamorfoses não é apenas uma coleção de mitos, mas uma cosmogonia dinâmica onde a única constante é a alteridade. Através de quinze livros escritos em hexâmetros datílicos, o autor tece uma tapeçaria que se inicia com a separação dos elementos primordiais do Caos e culmina na divinização de Júlio César. A prosa poética de Ovídio é marcada por uma agilidade narrativa sem precedentes, na qual deuses, ninfas e mortais são capturados em momentos de crise existencial, em que a paixão ou o terror precipitam uma transfiguração física que revela a essência oculta do ser.
O estilo ovidiano caracteriza-se por um virtuosismo descritivo que privilegia o detalhe visual e a psicologia do desejo. Diferente da solenidade virgiliana, Ovídio trata o sagrado com uma leveza frequentemente irônica, apresentando os deuses do Olimpo como seres movidos por impulsos mundanos, cujos caprichos alteram irremediavelmente o destino dos homens. As transições entre os episódios são operadas com uma elegância associativa, criando a sensação de um fluxo ininterrupto de consciência mítica. A linguagem é vibrante, plena de antíteses e paradoxos que capturam o instante exato em que a pele se torna casca, os braços se alongam em ramos ou o sangue se transmuta em flor, imortalizando a fragilidade humana perante a onipotência da natureza e do tempo.
No encerramento da obra, por meio do discurso de Pitágoras, Ovídio sistematiza a base intelectual de seu projeto: “tudo muda, nada perece”. Essa visão de um mundo em fluxo perpétuo não serve apenas como motor poético, mas como uma reflexão profunda sobre a identidade e a permanência, sugerindo que a vida é um ciclo de renovações incessantes, em que a forma é mera contingência.
A influência de Metamorfoses na cultura ocidental é incomensurável, servindo de fonte primária para a iconografia do Renascimento e do Barroco. De Bernini a Shakespeare, a capacidade de Ovídio de visualizar o invisível e de dar forma ao indizível estabeleceu o léxico fundamental para a representação do fantástico e do erótico nas artes plásticas e na literatura.
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