| Edição: 2ª |
| Publicação: 1 de setembro de 1999 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 184 |
| Peso: 0.250 kg |
| Dimensões: 22.8 x 16.2 x 1.2 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 8571105200 |
| ISBN-13: 9788571105201 |
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Comprar LivroNesta obra de fôlego e precisão antológica, Danilo Marcondes desempenha o papel de um mestre de cerimônias do intelecto, selecionando com rigor os fragmentos e capítulos que definiram o rumo da civilização. Diferente de manuais que apenas comentam o pensamento alheio, este volume coloca o leitor em contato direto com a fonte primária, permitindo que a voz de cada filósofo ecoe sem as distorções de interpretações excessivamente mediadas. A estrutura do livro é desenhada para oferecer uma progressão lógica e histórica, funcionando como uma cartografia das ideias que, partindo das intuições cosmológicas da Jônia, atravessa a metafísica clássica e o racionalismo moderno até desaguar nas complexas análises da linguagem do século XX.
A primeira parte da antologia resgata o frescor do pensamento grego, onde a busca pela essência da natureza e do ser se manifesta nos fragmentos enigmáticos de Heráclito e Parmênides. Marcondes conduz o leitor por meio da sistematização platônica e do rigor aristotélico, evidenciando como a filosofia se estabeleceu como disciplina autônoma. Ao avançar para a modernidade, a obra destaca a virada subjetiva operada por Descartes e a subsequente tensão entre o empirismo britânico e o idealismo transcendental de Kant. O autor seleciona trechos que não são apenas representativos, mas que servem de "nodos" conceituais, facilitando a compreensão de como a dúvida metódica abriu caminho para a crítica da razão pura, transformando para sempre a relação entre o sujeito conhecedor e o objeto conhecido.
O diferencial desta coletânea reside na sua capacidade de encerrar o ciclo histórico com a filosofia contemporânea, culminando na figura de Ludwig Wittgenstein. Marcondes apresenta a transição do pensamento focado na consciência para o foco na linguagem, explorando como a lógica e a análise semântica passaram a ser as ferramentas centrais do filosofar. A inclusão de Wittgenstein, tanto em sua fase do Tractatus quanto nas Investigações Filosóficas, permite ao leitor perceber a dissolução de velhos problemas metafísicos sob a luz da clarificação linguística. É uma jornada que demonstra que a filosofia, longe de ser um saber estático, é um organismo vivo que se reinterpreta a cada nova ferramenta analítica descoberta pelo espírito humano.