| Edição: 1ª |
| Publicação: 27 de novembro de 2025 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 224 |
| Peso: 0.200 kg |
| Dimensões: 15 x 1 x 22.5 cm |
| Formato: Capa comum / Brochura |
| ISBN-10: 8542239229 |
| ISBN-13: 9788542239225 |
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“Satanás” é um romance que se ergue sobre a tênue fronteira entre o real e o metafísico, explorando a violência, o desespero e a fragilidade da condição humana. Mario Mendoza constrói sua narrativa a partir de um episódio verídico — o massacre perpetrado por um ex-soldado norte-americano em Bogotá — e o transforma em matéria literária, tecendo uma trama que entrelaça destinos aparentemente díspares. O romance não se limita a narrar um crime; ele busca compreender as forças invisíveis que conduzem os indivíduos ao colapso, revelando o mal como uma presença difusa, insidiosa e quase inevitável.
A escrita de Mendoza é marcada por uma intensidade visceral. O autor recorre a uma linguagem direta, mas impregnada de densidade psicológica, criando uma atmosfera de inquietação constante. A narrativa se fragmenta em múltiplas vozes e perspectivas, compondo um mosaico de personagens que carregam suas próprias dores e dilemas. Essa multiplicidade confere ao romance uma dimensão coral, em que cada história individual se torna parte de um destino coletivo. O estilo é ágil, mas nunca superficial; há nele uma busca por sondar as zonas mais obscuras da alma humana.
Os protagonistas de “Satanás” são figuras dilaceradas, marcadas por traumas, obsessões e culpas. Mendoza os apresenta como seres que caminham à beira do abismo, incapazes de escapar das forças que os arrastam. A violência, tanto física quanto simbólica, permeia suas existências, e o romance sugere que o mal não é apenas um ato isolado, mas uma corrente subterrânea que atravessa a sociedade. Cada personagem é um espelho da fragilidade humana diante de um mundo que parece regido por forças demoníacas.
Mais do que um relato policial ou histórico, “Satanás” é uma meditação sobre o mal como categoria existencial. Mendoza não oferece respostas fáceis; ao contrário, ele expõe a complexidade de um fenômeno que se manifesta tanto nas estruturas sociais quanto nas intimidades individuais. O romance nos confronta com a ideia de que o mal não é apenas externo, mas também interno, enraizado nas contradições e nas sombras da própria humanidade.
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