A glória e seu cortejo de horrores - Torres, Fernanda

Edição:
Publicação: 09 de novembro de 2017
Idioma: Português
Páginas: 216
Peso: 0.8 kg
Dimensões: 20.6 x 13.8 x 1.4 cm
Formato: Brochura / Capa comum
ISBN-10: 8535929932
ISBN-13: 9788535929935

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A glória e seu cortejo de horrores

Publicado em 2017, A glória e seu cortejo de horrores é o segundo romance da atriz e escritora Fernanda Torres, uma tragicomédia mordaz que mergulha no universo das artes cênicas brasileiras com humor ácido e olhar irônico. A narrativa acompanha Mario Cardoso, ator de meia-idade que viveu o esplendor da fama como galã de telenovela e agora enfrenta a lenta e humilhante derrocada de sua carreira. Vaidoso, cínico e profundamente autocrítico, Mario é um anti-herói cuja voz em primeira pessoa revela pensamentos misantropos, delírios de grandeza e uma amarga lucidez sobre o meio artístico.

O ponto de inflexão ocorre quando Mario decide encenar uma versão de Rei Lear, buscando o prestígio da elite intelectual. O projeto fracassa de forma retumbante — ele não consegue conter o riso em cena dramática — e inaugura uma espiral de decadência: papéis desprezíveis em novelas bíblicas, comerciais constrangedores e o ostracismo definitivo. A trajetória de Mario serve como fio condutor para um retrato corrosivo da história do teatro e da televisão no Brasil, desde os palcos engajados da Ditadura Militar até a superficialidade do mercado hiper conectado contemporâneo.

Com domínio absoluto da linguagem e conhecimento profundo do meio artístico, Fernanda Torres constrói uma crítica feroz à vaidade, ao ego e à efemeridade da fama. A narrativa não linear alterna os tempos de glória e os dias de ruína, compondo um painel geracional que expõe os bastidores da arte e os fantasmas da passagem do tempo. O título, inspirado em uma frase dita por Fernanda Montenegro, resume o paradoxo da vida no palco: entre o brilho e o abismo, entre o aplauso e o esquecimento. A glória e seu cortejo de horrores é uma leitura que diverte, incomoda e convida à reflexão sobre os limites da arte e da ilusão.

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