| Edição: 1ª |
| Publicação: 30 de março de 2012 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 1088 |
| Peso: 1.43 Kg |
| Dimensões: 22.8 x 15.6 x 5.6 cm |
| Formato: Brochura / Capa comum |
| ISBN-10: 8535920390 |
| ISBN-13: 9788535920390 |
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“Contra o dia”, publicado em 2006, é um dos romances mais monumentais de Thomas Pynchon, tanto em extensão quanto em ambição. Com mais de mil páginas, a obra se apresenta como um vasto mosaico narrativo que atravessa décadas, geografias e estilos, desde o final do século XIX até o período posterior à Primeira Guerra Mundial. Pynchon constrói um labirinto literário em que ciência, política, filosofia e imaginação se entrelaçam, criando uma narrativa que desafia o leitor a perder-se e reencontrar-se em suas múltiplas camadas.
O romance é marcado por uma polifonia exuberante: há capítulos que se aproximam da aventura juvenil, outros que se enraízam na sátira política, alguns que se expandem em reflexões filosóficas ou em descrições quase científicas. Pynchon não se limita a um único registro; ele experimenta, alterna, fragmenta, criando uma obra que é ao mesmo tempo enciclopédica e caótica. Essa multiplicidade é parte de sua estética: o romance não busca unidade, mas celebra a diversidade de formas e vozes.
“Contra o dia” é profundamente marcado pela presença da ciência e da tecnologia, mas sempre filtradas pelo imaginário literário. A matemática, a física e a geopolítica aparecem como temas centrais, mas são transfigurados em metáforas e narrativas que revelam tanto o fascínio quanto a inquietação diante do progresso. Pynchon questiona a crença na racionalidade absoluta, mostrando como a ciência pode ser tanto instrumento de descoberta quanto de destruição.
O romance é também uma reflexão sobre o poder, a violência e os movimentos sociais do início do século XX. Revoluções, guerras, conspirações e utopias atravessam suas páginas, compondo um panorama em que a história é vista não como linha reta, mas como campo de forças em constante conflito. Pynchon expõe as contradições da modernidade, revelando como o avanço técnico convive com a barbárie e como a promessa de progresso se enreda em desigualdades e destruições.
Ler “Contra o dia” é entrar em um território de vertigem. O romance exige entrega, paciência e disposição para se perder em suas digressões e retornos. É uma obra que não se oferece como narrativa linear, mas como experiência estética total, em que o leitor deve aceitar o caos como parte da forma. Pynchon, fiel à sua tradição, constrói um livro que é ao mesmo tempo desafio e recompensa, labirinto e espelho.
“Contra o dia” é um dos grandes romances da literatura contemporânea, uma obra que expande os limites da narrativa e da imaginação. Thomas Pynchon, com sua prosa densa e inventiva, cria um universo em que história, ciência e ficção se entrelaçam, revelando a complexidade da modernidade e a fragilidade das certezas humanas. É um livro que se ergue como monumento literário, destinado a provocar, desconcertar e fascinar.
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