Os mitos coreanos: Um guia para deuses, heróis e lendas

Edição:
Publicação: 1 de outubro de 2025
Idioma: Português
Páginas: 232
Peso: 0.340 kg
Dimensões: 12 x 1.5 x 19.5 cm
Formato: Capa dura
ISBN-10: 8532671284
ISBN-13: 9788532671288

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Os mitos coreanos - Heinz Insu Fenkl e Bella Myong-wol Dalton-Fenkl

A urdidura do xamanismo e a resiliência do espírito peninsular

Heinz Insu Fenkl e Bella Myong-wol Dalton-Fenkl logram nesta obra uma das mais raras e preciosas sistematizações da mitologia coreana para o público ocidental, resgatando vozes que, por séculos, sobreviveram à margem das grandes tradições continentais. O texto não se limita a uma mera compilação; ele é um mergulho na alma do *Musok* — o xamanismo coreano —, em que o sagrado é mediado por mulheres poderosas, as *Mudang*, que conectam o mundo dos vivos ao domínio dos deuses e antepassados. Com uma linguagem erudita e uma narrativa que preserva o frescor da tradição oral, os autores demonstram como o mito na Coreia é uma ferramenta de resistência cultural, mantendo viva a identidade de um povo que soube preservar suas raízes sob a sombra de gigantescas influências estrangeiras.

A gênese de Dangun e a montanha sagrada de Baekdu

A obra explora com minúcia o mito de fundação de Gojoseon, narrando a união entre Hwanung, o príncipe celestial, e a ursa que se tornou mulher, dando origem a Dangun, o rei ancestral. Por meio de uma prosa densa e analítica, os autores contextualizam essa narrativa não apenas como um evento histórico-lendário, mas como a pedra angular de uma cosmologia que valoriza a harmonia entre o céu, a terra e a humanidade. O livro percorre as montanhas sagradas e as aldeias rurais, oferecendo considerações detalhadas sobre como os deuses da casa, da cozinha e do solo refletem uma espiritualidade profundamente telúrica, em que cada elemento da vida cotidiana é permeado pela presença de forças invisíveis que exigem respeito e reciprocidade.

A jornada dos heróis e a justiça do submundo

Um dos pontos de maior relevo na obra é a análise dos heróis épicos e das divindades do pós-morte, como a princesa Bari, a guia das almas. Os autores detalham como o conceito de justiça e retribuição é central nessas histórias, em que a superação do sofrimento (*Han*) e a busca pela reconciliação espiritual formam o cerne das lendas que explicam os mistérios da vida e da morte.

O legado da tradição e a modernidade da península

Ao concluir esta incursão, os autores reafirmam que a mitologia coreana é um organismo vivo, cujos ecos ainda ressoam no cinema contemporâneo, na literatura e nos rituais que persistem em meio à urbanização frenética de Seul. Suas considerações finais enfatizam a singularidade desta tradição, que combina o misticismo xamânico com preceitos confucionistas e budistas sem perder sua essência visceral. A obra subsiste como um portal indispensável para a compreensão de uma cultura que vê na natureza e nos laços familiares o tabernáculo do divino. É uma leitura que exige do leitor uma sensibilidade aberta ao inefável, permitindo que a sabedoria dos antigos xamãs ilumine os caminhos da alma moderna.

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