Liberdade: uma doença sem cura - Žižek, Slavoj

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Edição:
Publicação: 23 de fevereiro de 2026
Idioma: Português
Páginas: 384
Peso: 0.460 kg
Dimensões: 15.5 x 1.8 x 22.5 cm
Formato: Capa comum
ISBN-10: 6558022648
ISBN-13: 9786558022640

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Liberdade: uma doença sem cura - Slavoj Žižek

A dialética do vazio existencial

Em “Liberdade: uma doença sem cura”, Slavoj Žižek conduz o leitor por um labirinto intelectual onde a liberdade não se apresenta como um horizonte de emancipação, mas como uma contingência traumática que o sujeito tenta, desesperadamente, contornar. Com a erudição característica, que funde a psicanálise lacaniana ao materialismo dialético, o autor desconstrói as ilusões da escolha liberal contemporânea. Para ele, a liberdade é o “excesso” que nos habita, um vazio central que a ideologia tenta preencher com simulacros de autonomia. Žižek argumenta que o verdadeiro peso da liberdade não reside na capacidade de agir, mas no fato de estarmos condenados a um engajamento subjetivo que revela a própria ausência de um fundamento metafísico para nossas decisões.

O texto opera sob a premissa de que a liberdade é, de fato, uma patologia — uma falha na ordem do Ser que nos força a assumir a responsabilidade pela criação de um sentido que, intrinsecamente, não existe. A “cura” para esta doença, sugerida pelas engrenagens do capitalismo globalizado, seria a submissão total ao prazer narcísico e à conformidade, escondendo o trauma de que não há um lugar predeterminado para o sujeito no cosmos. Ao analisar fenômenos políticos, culturais e psíquicos, o filósofo esloveno demonstra como nossas obsessões por controle são sintomas de uma incapacidade crônica de enfrentar a radicalidade do ato livre.

O trauma da escolha absoluta

A narrativa de Žižek transita entre a análise de objetos culturais prosaicos e a profundidade da especulação filosófica. Ele sugere que a modernidade nos oferece uma forma espúria de liberdade, onde tudo é permitido, desde que o núcleo ideológico permaneça intocado. A obra é uma provocação para que o leitor reconheça a escravidão oculta nas escolhas banais do cotidiano. Em vez de uma libertação gloriosa, a liberdade se manifesta como uma fratura que nos impede de encontrar repouso, empurrando-nos constantemente para a reinvenção do nada.

A sedução da ideologia

O autor aponta como o sistema atual absorve o nosso desejo de ruptura, transformando a rebeldia em mercadoria. A liberdade sem cura é, portanto, a persistência do sujeito em habitar essa tensão, recusando-se a aceitar as explicações fáceis oferecidas pelos mecanismos de controle social. O estilo é ácido, iconoclasta e profundamente instigante, recusando-se a oferecer consolo. O filósofo nos coloca diante do espelho para que confrontemos o fato de que, sob a máscara da autodeterminação, reside o medo atávico de ser, enfim, livre para enfrentar o vazio.

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