| Edição: 1ª |
| Publicação: 20 de junho de 2024 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 184 |
| Peso: 0.240 kg |
| Dimensões: 14 x 1 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6557112031 |
| ISBN-13: 9786557112038 |
Leve este livro para casa hoje
Este artigo contém links afiliados. Como associado(s)
da Amazon, ganhamos comissões pelas compras qualificadas.
VER PREÇO NA AMAZON
Em “O ano mil”, Henri Focillon transcende a crônica histórica tradicional para perscrutar o imaginário coletivo de uma época marcada pelo medo, pela esperança e por uma profunda mutação espiritual. O autor refuta a noção simplista de um terror milenarista que teria paralisado a Europa na véspera do ano 1000, propondo, em vez disso, uma análise refinada sobre a transição da arte e do pensamento em direção ao estilo românico. Focillon situa o leitor em um horizonte em que a fragilidade das estruturas políticas e a instabilidade da existência cotidiana impulsionavam a humanidade a buscar, na construção monumental e na renovação simbólica, uma âncora de permanência em um mundo de incertezas.
O livro é um ensaio de vasta erudição que entrelaça a história das mentalidades com a estética da forma. Focillon investiga como o sentimento de renovação — o nascimento de uma nova ordem, segundo a célebre expressão da época — manifestou-se na arquitetura, na iconografia e nas correntes intelectuais que precederam o florescimento medieval. O autor demonstra que o “ano mil” não deve ser encarado como um ponto de ruptura, mas como um fulcro de energia, onde o espírito europeu começou a organizar-se e a expressar sua própria identidade por meio de um estilo que buscava, na pedra e na luz, a reconciliação entre o divino e o humano.
A erudição de Focillon é marcada pela elegância de uma prosa que trata o tempo histórico com a plasticidade de uma obra de arte. Ele evita as generalizações grosseiras, preferindo observar as tensões sutis entre a tradição clássica sobrevivente e as novas pulsões criativas do período. Ao explorar o papel dos mosteiros, das rotas de peregrinação e das relíquias, o autor desenha um mapa de um continente em movimento, onde a fé não é apenas um dogma, mas a argamassa que une a vida social e o esforço criativo. A obra revela uma Europa que se redescobre enquanto entidade cultural, forjando, em meio às crises, uma linguagem artística que perduraria por séculos.
A grande conquista de Focillon é o tratamento da história como um processo vivo, em que a mudança não ocorre por saltos desconexos, mas por uma evolução orgânica. Ao analisar os detalhes técnicos da escultura e da arquitetura românicas, ele torna visível a transformação do olhar humano — de uma visão atomizada e defensiva para uma compreensão espacial integrada e ambiciosa. O livro funciona como uma reflexão sobre como o ser humano, diante do efêmero e do catastrófico, responde através da necessidade inata de estruturar o caos e eternizar o presente em formas que desafiam o esquecimento.
Conteúdo patrocinado: link de afiliado Amazon