| Edição: 1ª |
| Publicação: 6 de novembro de 2023 |
| Idioma: Português |
| Páginas: 184 |
| Peso: 0.240 kg |
| Dimensões: 14 x 1.5 x 21 cm |
| Formato: Capa comum |
| ISBN-10: 6555251697 |
| ISBN-13: 9786555251692 |
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Nesta obra, que compõe um dos pilares mais enigmáticos e potentes da dramaturgia grega, Ésquilo desloca o centro da tragédia do mundo dos homens para a esfera das forças elementares e divinas. Prometeu Prisioneiro (ou Prometeu Acorrentado) não apresenta uma ação dinâmica no sentido convencional; o drama é estático, concentrado na imobilidade forçada de um Titã cravejado a um rochedo nos confins do Cáucaso. O crime de Prometeu não foi uma falha moral, mas um ato de filantropia radical: o roubo do fogo e a partilha do conhecimento técnico com a humanidade, salvando-a da extinção planejada por Zeus. A linguagem de Ésquilo, nesta peça, assume uma tonalidade de ferro e granito, ecoando a resistência de uma consciência que se recusa a curvar-se perante a tirania do novo soberano do Olimpo.
O estilo literário caracteriza-se por um embate dialético entre o Poder (Kratos) e a Violência (Bia), que executam a sentença, e a agonia lúcida de Prometeu, que detém o segredo do destino final de Zeus. A prosa poética, traduzida com rigor por Trajano Vieira, preserva a densidade dos epítetos e a gravidade dos coros das Oceânides, que oferecem um contraponto de compaixão à aridez do cenário. Prometeu surge como o arquétipo do mártir intelectual, aquele cujo nome significa “o que vê adiante” (Prométheia), e que aceita o tormento eterno do abutre devorando seu fígado em nome da autonomia do espírito humano. A peça funciona como uma autópsia do poder absoluto, revelando um Zeus que, embora onipotente, é prisioneiro de sua própria paranoia e da necessidade de validação.
Através do longo monólogo de Prometeu sobre as artes que ensinou aos mortais — da astronomia à escrita, da medicina à metalurgia —, Ésquilo sistematiza a transição do homem do estado de natureza para a civilização. O Titã não entrega apenas o fogo físico, mas o fogo da razão, tornando-se o patrono divino do progresso e da rebeldia necessária contra o arbítrio.
A tensão dramática é alimentada pelo silêncio de Prometeu quanto ao segredo que poderia salvar Zeus de uma futura destronização. Esse conhecimento oculto confere ao prisioneiro uma soberania moral que supera a força das correntes de Hefesto, estabelecendo que, na ordem esquiliana, mesmo o rei dos deuses está sujeito às Moiras e ao fluxo inexorável do Tempo.
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